Esporte Clube Santo André. Opinião e Informação
   -Homenagem dos Ramalhonautas ao lateral Alexandre

Alexandre Todoverto chegou no Ramalhão no início de 2003 e sempre teve boas atuações, destacando-se principalmente pela raça e amor a camisa Andreense, tornando-se muito querido pela torcida.

Conforme noticia veiculada em 01/05, o vice-presidente da Gestão Empresarial, Romualdo Magro Junior confirmou o plano de emprestar ou negociar dez jogadores, e entre eles estava o lateral Alexandre. Em 06/2009, seu contrato foi rescindido, o que para nós significou uma grande injustiça para com quem sempre honrou a camisa do Santo André. Resolvemos então prestar esta singela homenagem ao querido Alexandre.

 

 

Depoimentos:

Marcelo Alves Bellotti
“Minha lembrança do Alexandre foi no gol que ele fez contra o Monte Azul, na série A2 de 2008. Foi a primeira vez que eu levei meu pai no Brunão. Ele adorou. Perguntava sobre tudo e sobre todos os jogadores do Ramalhão. Em cinco minutos, já estava cornetando o time. A bola foi para o Alexandre que olhou pra área... CRUZA!!! Ele gritou. Pois o cruzamento saiu errado, ele virou de costas e quando ia xingar o lateral... GOOOOL!!! Todos atrás gritavam!!! Desse jogo pra frente, meu pai também torce para o Ramalhão!!! E aposta com quem quiser que o Alexandre quis fazer o gol.”

Marcio Rincon Mendes (Mineiro)
“Campinense 1 x 2 Santo André - Campina Grande 2003. Alexandre enfrentou a policia, para tirar o Tássio de uma possível briga... Saiu cheio de sangue no intervalo e na volta para o segundo tempo, estava todo roxo de tanta bordoada dos PMs. Mesmo assim, entrou no segundo tempo e foi importantíssimo na conquista do acesso à Série B. Da-lhe Alexandre.”

Fábio Amaral
“Tenho uma história especial com o Alexandre: Foi na série A2 de 2008, no jogo de 26/03 - Santo André 2x3 São Bento. Ao terminar o jogo eu estava com meu filho Pedro, de 8 anos chorando inconsolável. O Renato Ramos passou por nós e perguntou se ele havia se machucado ou algo assim. Expliquei que o choro era pela derrota do Santo André. De imediato, o Renato nos convidou para descer até o vestiário, para tentar amenizar aquela situação. Confesso que era uma situação nova até pra mim, que em tantos anos de Bruno Daniel nunca havia entrado lá. Entramos e logo na sala de imprensa o Renato encontrou o Alexandre, que era o único que estava alí e contou o que aconteceu. O Alexandre foi exemplar no atendimento ao seu mais novo fã. Pediu que o Pedro não chorasse e disse: ' Você vai ver....nós vamos ser campeões, prometo pra vc... é normal perder, mas ainda temos muitos jogos, não chore...'
Naquele momento, meu filho tinha um novo ídolo... um jogador "de verdade" havia falado com ele e confesso que passei a ver o Alexandre não só como jogador, mas como ser humano. Foi "humilde"... não houve qualquer estrelismo ou questionamento... ele agiu como um pai espera que ajam com seu filho. O fato é que tempos depois estávamos no "galinheiro" comemorando o título e ouvi do meu filho: 'ele cumpriu a promessa que fez pra mim'. Nunca mais tivemos a oportunidade de conversar com ele e ele mesmo nem deve se lembrar deste episódio, mas para o meu filho e pra mim foi inesquecível... Alías, devemos ao Renato (que deve lembrar do episódio) esse momento.”

Luiz Henrique Gurgel
"Dia de pé-de-anjo de Alexandre Todoverto. Às vezes a memória pode nos dar alguns trotes, deixando nebulosa uma lembrança sobre um fato marcante. Ficam faltando elementos para completar aquela história que tanto desejamos recordar. No fim, acabamos ficando em dúvida se aquilo ocorreu daquela maneira, de verdade, ou se estamos preenchendo algumas lacunas com uma dose de fantasia e ficção. Mas o fato é que o senhor Alexandre Todoverto, heróico e raçudo lateral direito do Ramalhão, foi um dos responsáveis por eu vislumbrar, ao vivo, um dos gols mais belos que minhas retinas fatigadas – como diria o poeta – já puderam ver. Nem faz tanto tempo assim que tal gol aconteceu. Foi na partida entre Santo André e Guarani, no Bruno Daniel, ocorrida em 31 de outubro de 2006, pelo Campeonato Brasileiro da série B. Estávamos no final do segundo turno e o Ramalhão tinha boas chances de ficar entre os quatro que subiriam à série A daquele ano. Chegou bem perto, acabou ficando em sétimo. O jogo estava truncado mas era o Santo André que tomava todas as iniciativas, pois o Guarani jogava totalmente retrancado. O time do interior fazia um péssimo campeonato e estava no desespero para não cair. Desespero que não foi suficiente, já que despencaria para a série C ao final daquele ano. Alexandre avançava a todo momento pela direita, ora chegando à linha de fundo e cruzando ou tentando arremates na entrada da grande área. Foi num desses avanços que o lateral, conduzindo a bola pela direita na intermediária do campo de ataque, viu do outro lado Hernanes, volante emprestado pelo São Paulo, e que corria em direção à grande área. Num átimo, Alexandre fez passe milimétrico, estando a 20 ou 30 metros de distância de Hernanes, colocando a bola na posição e no momento exato para que o pernambucano pegasse de primeira, em cheio de fora da área e estufasse a rede bugrina. Indefensável! Golaço! Talvez o mais belo e estudado passe do lateral. Ele teve que ser mais rápido que o The Flash no cálculo, levando em conta o vento, a velocidade e as passadas de Hernanes, além do quanto de força teria que colocar na perna direita para que a batida fosse exata e alcançasse com perfeição o pé do companheiro. Frações de segundo que fizeram diferença para que o gol saísse ou não, independentemente da grande categoria de Hernanes. E foi Ramalhão 1 a 0, permanecendo vivo na competição para brigar por uma das quatro vagas à série A de 2007. Não deu, mas bem que merecíamos. Por muito tempo fiquei procurando esse gol no Youtube, sem sucesso. Até para confirmar o que traz a minha memória. Também nunca pude comentar com o Alexandre sobre a jogada e o que ele se lembra dela. Mas foi por essa e muitas outras que ele virou um dos nossos ídolos. Sua raça, honradez, seus 200 e tantos jogos envergando o manto sagrado ramalhino, com inúmeras provas de amor a essa camisa, o qualificam para entrar na história como um dos grandes do Esporte Clube Santo André em todos os tempos."

Alexandre Bachega
"O Alexandre é sem dúvida um dos maiores laterais que passaram pelo Santo André. Aliás, nem precisava afirmar isso, afinal, não é por acaso que alguém realiza mais de duzentos jogos por um clube. Um profissional que sempre honrou nosso manto, colocando a raça e o amor ao Santo André acima de tudo! Foi importantíssimo nas conquistas da Copa Estado de São Paulo 2003, do Campeonato Paulista Série A-2 de 2008 e também na Copa do Brasil 2004, mesmo tendo sido contratado pela Ponte Preta no inicio do campeonato. Me lembro de ter encontrado com ele no portão principal do Pacaembú, na primeira semifinal, contra o 15 de Campo Bom. Naquele momento eu pensei: 'Não está presente como jogador, mas está como torcedor... uma vez Ramalhino, sempre Ramalhino'."



Escrito por Marcelo Bellotti às 15h26
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